Ídolos x Depressão

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Sunny Garcia no hospital. Foto Arquivo Pessoal.

Segunda-feira, 29 de abril às 22:00, no Hawai, viralizava nas redes sociais uma triste notícia para o mundo do surf e os amantes da vida. Primeiramente, recebi o notícia, em primeira mão, da morte do grande surfista Sunny Garcia, vítima dos desdobramentos da depressão. Me senti péssimo desde então, afinal de contas Sunny Garcia é uma lenda do surf, campeão mundial em 2000, um cara com grande personalidade que vinha fazendo história no surf havaiano e mundial e influenciava as novas gerações.

Felizmente, foi notícia fake. Consciente ou não, Sunny Garcia, vem lutando pela vida. Estamos na torcida, enviando energias positivas, pois a vida é uma grande bênção. É através dela que ele poderá continuar sua luta para vencer essa triste doença. Quando comete-se o ato de tirar a própria vida, perde-se a luta contra ela. Como conhecemos a trajetória vitoriosa desse ícone do surf temos a certeza que ele possui toda condição/força para vencê-la.

Assim como nosso brasileiro Jean da Silva, morto em 2017 – vítima do mesmo mal, Sunny Garcia é mais uma vítima desta triste doença. Como amante do esporte e surfista de alma, fico me perguntando como pode um surfista profissional que viveu dentro deste ambiente maravilhoso, tendo viajado o mundo inteiro em busca de ondas e competições, pego altas ondas em praias desertas, pode ser acometido por tão profundamente tristeza, ao ponto de achar que o fim da vida é a solução?

Não vou me estender nessa reflexão pessoal do Sunny Garcia, pois estaria fazendo julgamentos sem conhecimento do caso específico, essa não é a intenção. Acho que cabe uma reflexão sobre a doença e o que pode ser feito para evita-la.

Os dois casos citado por si só prova que a depressão não faz distinção de raça, religião, classe social, estilo de vida, se tem fama ou não. A depressão é uma doença da mente que pode fisgar qualquer um, por esta razão devemos todos ter cuidado com ela.

O surf nos ajuda muito para evitar esse mal, pois o esporte em si é uma fonte de prazer e bem estar; sendo fonte de prazer é mais fácil alimentar bons pensamentos e levar a vida a cada dia com qualidade.

A depressão é o reinado da mente negativa e nossa mente cria nossa realidade, portanto, independente de sua condição social, de quanto sua vida aos olhos do outro é maravilhosa, se você não tiver uma mente saudável pode cair na triste armadilha da depressão. Enxergar seu mundo de uma forma incoerente com a saúde que possui, o ar que respira, com o mundo de oportunidades que a vida proporciona, com a quantidade de pessoas que gostariam de estar ao seu lado ajudando-o, enfim, a mente depressiva não consegue enxergar o lado positivo da vida, aí está a questão.

Mas a pergunta que fica é: como um cara de sucesso, que teve e continua tendo na sua devida proporção, a fama, que viveu experiências na vida que pouquíssimas pessoas viveram pode ser acometido com uma doença tão tóxica e negativa da mente?

Uma possível resposta pode estar associado a forma como o indivíduo lida na vida social. Não podemos esquecer que a vida em sociedade nos molda, desde pequeno somos condicionados a viver uma vida dentro dos padrões impostos por ela, o que pode gerar um desequilíbrio naquilo que somos com aquilo que queremos ser, que está adormecido no nosso íntimo. Esse

descompasso mina a vida das pessoas que vivem uma vida quando na verdade gostaria de viver outra completamente diferente. Quando somos jovens não costumamos dar muita atenção a essas coisas – ouvir nosso interior mais intimo – somos levados pelos sentidos, desejos, paixões, materialismo, emoções e o vigor físico, quando vai chegando a maturidade, entre os 35 e 40 anos aquilo que vinha adormecido parece acordar com toda força em nossa consciência.

Conheço algumas pessoas próximas que estão passando por isso, exatamente nessa fase da vida. Uma vez que uma arvore frutífera desde a semente já vem com a missão de oferecer o fruto para a natureza, somos seres vivos, humanos que nascemos para realizar nossa vocação, nosso propósito para o bem, o amor, que é totalmente pessoal, subjetivo, único. Dessa forma acontece das pessoas que não estão em sintonia com sua real vocação sentirem-se vazias e achar que a vida não tem sentido. Este é o clamor do interior mais profundo e precisa ser ouvido e respeitado – se lutar contra você mesmo o resultado será certamente a derrota. Precisamos pensar por si só, alimentar pensamentos positivos, ter confiança e forças para buscar o propósito custe o que custar.

Aloha!

Gustavo Batalha

Surfista de alma, professor universitário, sociólogo e escritor.

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